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Consórcio Pesquisa Café: tecnologias prontas para o mercado e a sociedade

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selo15anosConsorcio-peqEste mês o Consórcio Pesquisa Café completou 15 anos de trabalho em prol da cafeicultura brasileira. Experiência inédita, inovadora e única no mundo de integração de ciência e tecnologia em todas as etapas da cadeia produtiva, o Consórcio ao longo de sua existência tem desenvolvido soluções de qualidade e de grande impacto sócio-econômico e ambiental. “Articulando o trabalho conjunto de cerca 50 instituições de pesquisa, ensino e extensão rural, espalhadas nos principais estados produtores, esse arranjo institucional tem propiciado a disponibilização para o mercado e a sociedade de tecnologias, serviços e produtos de forma integrada com os vários segmentos agroindustriais”, reforça o gerente geral da Embrapa Café, Paulo César Afonso Jr. A Embrapa coordena a gestão do programa de pesquisa do Consórcio.

Os resultados das ações de pesquisa realizadas durante os 15 anos de existência do Consórcio Pesquisa Café estão concentradas nas áreas de melhoramento genético, biotecnologia, segurança alimentar, otimização do sistema produtivo, manejo integrado de pragas e doenças, cafeicultura irrigada, zoneamento climático, colheita e pós-colheita, aperfeiçoamento de processos e desenvolvimento de equipamentos, entre outras.

As pesquisas em melhoramento genético propiciaram o desenvolvimento de 35 cultivares, de arábica e conilon, resistentes às principais pragas e doenças do cafeeiro e com alta produtividade, melhorando qualidade dos frutos e incrementando significativamente a produção sem aumento expressivo da área plantada nas principais regiões produtoras. No Instituto Agronômico – IAC, foram geradas sete cultivares; na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig, oito; no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, 3; no Instituto Agronômico do Paraná – Iapar, 13, na Embrapa Café e no Procafé , 4 cultivares em 2011.

O Projeto Genoma Café, realizado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em conjunto com instituições consorciadas desenvolveu o sequenciamento do genoma café, que resultou na construção de um banco de dados com mais de 200 mil sequências de DNA. Isso permitiu a identificação de mais de 30 mil genes, responsáveis pelos diversos mecanismos fisiológicos de crescimento e desenvolvimento do cafeeiro. Atualmente as ações visam decifrar as sequencias agregando-lhes função por meio de trabalhos de identificação de marcadores moleculares e de promotores gênicos para dar continuidade ao melhoramento genético do cafeeiro. Entre os impactos potenciais desse estudo, pode-se citar a maior resistência a doenças, a pragas e nematóides. O resultado é a diminuição do custo de produção e o aumento da produtividade, com mais proteção ambiental.

Pesquisadores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) criaram cinco variedades clonais para o café conilon: Emcapa 8111, Emcapa 8121, Emcapa 8131, Emcapa 8141 - Robustão Capixaba e Vitória Incaper 8142) e uma variedade de propagação por sementes (Emcaper 8151 - Robusta Tropical). Essas variedades, segundo a pesquisadora Maria Amélia Gava Ferrão, têm sido a base da renovação da cafeicultura do Espírito Santo. “O uso correto dessas variedades e a aplicação de outras tecnologias desenvolvidas também pelo Incaper, como a poda, adubação e manejo da cultura, têm contribuído para a melhoria da produção e da qualidade do produto em nosso estado, além da uniformidade das lavouras. Hoje mais de 60% do parque cafeeiro do Espírito Santo é formado por variedades clonais. E a produção média teve aumento da ordem de 230%, saltando de 9,3 sacas por hectare para 30 sacas por hectare. Em termos financeiros, o incremento foi de 2,4 milhões para 8,5 milhões. Todo esse progresso foi realizado com a incorporação de apenas mais 11% na área plantada”, atualiza.

A poda do café Conilon, tecnologia desenvolvida pelo Incaper, além de favorecer a longevidade do cafezal, aumenta a produtividade. A tecnologia é adotada pela maioria dos produtores do Espírito Santo e chegou mais recentemente em Rondônia e Minas Gerais. A poda consiste na eliminação das hastes verticais e dos ramos horizontais improdutivos, para que no lugar deles nasçam outros mais vigorosos.  Nesse processo, os ramos estiolados e o excesso de brotações também são eliminados. “Entre os benefícios da tecnologia, estão redução média de 32% de mão-de-obra no período de 10 colheitas; facilidade de entendimento e execução; padronização do manejo da poda; maior facilidade para realização da desbrota e dos tratos culturais; maior uniformidade das floradas e da maturação dos frutos; melhoria no manejo de pragas e doenças; aumento superior a 20% na produtividade média da lavoura; maior estabilidade de produção por ciclo e melhor qualidade final do produto”, expõe o pesquisador do Incaper Romário Ferrão.

Na área de pós-colheita, há disponível para o mercado tecnologias para preparo, secagem e armazenamento de grãos, desenvolvidas com a liderança da Universidade Federal de Viçosa - UFV. São alternativas tecnológicas especialmente desenvolvidas para a agricultura familiar para oferecer, a custos compatíveis, uma infraestrutura mínima para que, independentemente das condições climáticas, o cafeicultor possa produzir café de qualidade superior, com economia de tempo, redução de custos e mão-de-obra empregada e maior rendimento operacional. É composta por um terreiro-secador híbrido, abanadora, silo secador e lavador portátil.

O Iapar disponibilizou o Alerta Geada, um sistema de proteção das lavouras novas de café, de 6 meses a 2 anos, do Paraná que traz benefícios aos cafeicultores desde 1995. Quando há previsão de geada um alerta é disparado para os produtores cadastrados no projeto e também na mídia. Com a previsão da geada os produtores são orientados a fazer o chamado “enterrio” das plantas, que devem ficar cobertas por, no máximo, 20 dias, protegidas contra as geadas de moderadas a fortes. O Alerta Geada também dispara o aviso no começo de todo inverno com o primeiro resfriamento, para outra técnica, a “chegada de terra”, que consiste em amontoar a terra na base das plantas para protegê-las do frio. No total, R$ 21 milhões em prejuízos aos produtores de café no Paraná foram evitados com o Alerta Geada.

Outra grande contribuição do Iapar para a cafeicultura foi o desenvolvimento do modelo adensado, proposta tecnológica que possibilitou ao Paraná retomar sua produção, aniquilada na grande geada de 1975.  O adensamento de plantio já é utilizado em 70% da área de café no Paraná. A proposta é o cultivo de pequenas lavouras (a maioria dos cafeicultores paranaenses é de produtores familiares) e consiste em reduzir o espaçamento entre as ruas (de 4 m para até 1,5 m) e entre as plantas (de 1,5 m para até 0,5 m).

Uma das exigências impostas pelo modelo foi o desenvolvimento de variedades apropriadas – porte baixo, resistência à ferrugem e com diferentes épocas de maturação do fruto para permitir o escalonamento da colheita. Desde 1994, quando foi lançada sua primeira variedade, IAPAR 59, o Instituto já entregou aos cafeicultores 13 cultivares apropriadas ao sistema de cultivo sob adensamento, segundo o melhorista Tumoru Sera. “O escalonamento da colheita – possível por meio da formação da lavoura com cultivares superprecoces, precoces, semiprecoces, medianas, semitardias, tardias e supertardias – reduz em até 30% a necessidade de infraestrutura e de mão-de-obra na propriedade.

O escalonamento também é uma ferramenta para diminuir o risco de perdas com geadas. De acordo com o pesquisador, o plantio de cultivares precoces em locais mais suscetíveis e tardias em pontos menos expostos ao fenômeno diminui em até 30% o risco de geadas sobre frutos verdes. Tumoru Sera destaca ainda, como vantagem adicional, que o escalonamento possibilita colher maior quantidade de frutos no ponto ideal de maturação. “Nas lavouras que utilizam essa técnica, verificamos que chega a triplicar a produção de cafés de qualidade do produto final”, conclui.

Ainda do Iapar, e com a parceria da Emater-PR, há também o Programa Treino e Visita, um projeto de transferência de tecnologias em café desenvolvido desde 1997. O programa forma e treina técnicos multiplicadores da Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER, que, em contato constante com a pesquisa, formam e treinam grupos organizados de técnicos multiplicadores que repassam as tecnologias para grupos organizados de produtores rurais. Essa rede integrada capilariza as tecnologias, fazendo com que cheguem ao campo, e também permite que, no caminho inverso, as demandas dos produtores sejam conhecidas. Anualmente, cerca de cinco novas tecnologias são transferidas para 1500 produtores. Em 15 anos, foram 70 tecnologias transferidas. O método Treino & Visita trabalha com a organização de grupos, fortalecendo a interação entre a pesquisa, a assistência técnica e os produtores rurais. A dinâmica favorece o processo de adoção de novas tecnologias, que se torna mais rápido e eficiente. Entre os benefícios, aumento da rentabilidade, diminuição do custo de produção e o incentivo à adoção de produtos menos agressivos ao ambiente e à saúde.

 

Embrapa Café e Iapar
Flávia Bessa (Mtb 4469/DF)
Colaboração de Edmilson Liberal (MTb 4782/02-PR)
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