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Embrapa comercializará primeira cultivar de café, a BRS Ouro Preto

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A cultivar de café Conilon BRS Ouro Preto é resultado de 15 anos de pesquisa conduzida pela Embrapa Rondônia em parceria com o Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café. As mudas da BRS Ouro Preto devem começar a ser vendidas aos cafeicultores do Estado em um prazo de um a dois anos.

A nova variedade tem potencial para aumentar a produtividade e a sustentabilidade econômica e social de mais de 40 mil pequenas propriedades de cafeicultura em Rondônia e poderá ter sua recomendação estendida para outras regiões da Amazônia. A produtividade média do café em Rondônia é de 11 sacas/ha, enquanto a da Conilon BRS Ouro Preto é de 70 sacas/ha.

Etapas da comercialização - De acordo com o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Rondônia, Samuel Oliveira, o próximo passo rumo à comercialização é a formalização da parceria com os viveiristas e, em seguida, será agendada a entrega das estacas para multiplicação. Os viveiristas selecionados são: Arlindo Schulz e Miguel Constance Martins, de Alto Alegre; Nelson Eri Plantkow e Valdecir Piske da Silva, de Alta Floresta; Viveiro Nova Estrela, de Rolim de Moura; Antônio Guilherme Gotz, de Seringueiras, e Reonides Pezzin, de Buritis. Veja mais informações na página da Embrapa Produtos e Mercados.

“A Embrapa Rondônia participa ativamente da elaboração de políticas públicas para a cafeicultura no estado, em estreita cooperação com o governo estadual, para que esta importante tecnologia gerada seja catalisadora de um processo de inovação na cafeicultura de inserção competitiva da agricultura familiar no mercado”, destaca Samuel.

Características - A Conilon BRS Ouro Preto é uma cultivar clonal recomendada especialmente para Rondônia – segundo produtor de café conilon do Brasil – e foi obtida pela seleção de cafeeiros com características adequadas às lavouras comerciais do estado e adaptada ao clima e ao solo da região, como tolerância aos principais estresses climáticos da região: alta temperatura, elevada umidade do ar e déficit hídrico moderado.

O sistema de produção preconizado para o cultivo desta variedade é compatível com as práticas ambientais agronomicamente recomendadas, colocando essa tecnologia como promotora da preservação ambiental. Além disso, o aumento da produtividade decorrente da adoção dessa variedade permite produzir mais em menor área, diminuindo a pressão sobre a floresta.

Destina-se a cafeicultores que utilizam tecnologia recomendada para o cultivo, incluindo calagem, adubação química, poda de condução, controle de pragas, doenças e plantas daninhas. A nova cultivar é indicada para o cultivo em sequeiro ou com irrigação. Sua denominação é uma homenagem ao município de Ouro Preto do Oeste, centro pioneiro da colonização oficial do antigo território de Rondônia.
Café robusta (Coffea canephora ou Coffea robusta) - é uma espécie de café originária da África Ocidental. É cultivada principalmente na África e no Brasil, onde é chamada também de Conillon. Aproximadamente um terço do café produzido no mundo é robusta, incluído nos cafés instantâneo e expresso de forma a tornar o café cremoso. Essa espécie contém duas vezes mais cafeína que a arábica.

Cafeicultura em Rondônia - O Estado é o sexto maior produtor de café do País e ocupa a segunda posição nacional em cultivo de conilon, atrás apensas do Espírito Santo. O café é a cultura perene mais difundida, compondo uma das principais fontes de renda de inúmeras famílias da zona rural. De modo geral, o cultivo do café robusta em Rondônia é feito em pequenas áreas, com baixo nível tecnológico e grande aproveitamento de mão de obra familiar. Cerca de 90% da área cafeeira é plantada com a espécie robusta, sendo a cultivar conilon utilizada em aproximadamente 95 % das propriedades.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, cerca de 40 mil pequenas propriedades do Estado produzem o café conilon. A produtividade média dos cafezais no Estado de Rondônia é baixa (10,89 sc/ha nesta safra e 9,31 sc/ha na safra anterior), devido a fatores como sistema de cultivo pouco racional, práticas inadequadas, elevados custos de insumos e mão-de-obra, baixa fertilidade dos solos, indisponibilidade de crédito, veranicos, cafezais decadentes, entre outros. Linhas de pesquisa realizadas em parceria com o Consórcio Pesquisa Café aliadas a ações de transferência de tecnologia vêm buscando alternativas que gerem desenvolvimento das lavouras com sustentabilidade.

Consórcio Pesquisa Café - Congrega instituições de pesquisa, ensino e extensão localizadas nas principais regiões produtoras do País. Seu modelo de gestão incentiva a interação das instituições e a otimização de recursos humanos, físicos, financeiros e materiais. Foi criado por dez instituições: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig, Instituto Agronômico - IAC, Instituto Agronômico do Paraná - Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural - Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro - Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras - Ufla e Universidade Federal de Viçosa - UFV.

 

Texto: Kadijah Suleiman – MTb RJ 22729, Carolina Costa - MTb 7433/DF e Flávia Bessa - MTb 4469/DF
Contatos: (69) 3901-2511 / Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.